Dançando a Vida

“Que aconteceria se, em vez de apenas construirmos nossa vida, tivéssemos a loucura de dança-la?”


Como diz Roger Garaudy, em seu livro “Dançar a Vida”, “a dança é um modo de existir... a dança está presa à magia e à religião, ao trabalho e à festa, ao amor e à morte. Os homens dançaram todos os momentos solenes de sua existência... Dançar é, antes de tudo, estabelecer uma relação ativa entre o homem e a natureza, é participar do movimento cósmico e do domínio sobre ele.”


Dançamos a vida. Os movimentos e a técnica por si só do valeriam? É preciso expressar os sentimentos, as batalhas cotidianas, refletir para o público e com o público o movimento da vida, a relação do homem com ele próprio, com a natureza, com a sociedade, o inconsciente, o sobrenatural, com seus sentimentos e emoções. Os elementos da dança encontram-se na vida. É preciso dizer algo ao dançar, como tudo na vida nos diz alguma coisa. 


“Viver é movimentar-se.” A dança nascida nas civilizações comunitárias, debilitada nas civilizações individuais, pode ser a realização de uma sociedade aberta, onde a expressão do eu não se torne individualista, onde pudéssemos expressar, harmonicamente, como uma dança, sua dimensão social e criativa, vivendo dentro deste fluxo de movimento e arte que é a vida, que é o universo. Porque “a dança não é apenas uma arte, mas um modo de viver”.

 

Autora: Carolina Damitz, dançarina desde 2009.